Locadoras de automóveis disputam atenção do investidor

Movida estreará na Bolsa a R$ 7,50. Unidas fará oferta de ações nos próximos dias

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Mercado aquecido. No total, Bolsa de Valores passará a ter quatro empresas do segmento de locação de veículos – O Globo / Edilson Dantas/27-1-2017
SÃO PAULO – O setor de locação de veículos entra em 2017 com duas empresas, a Unidas e a Movida, lançando ações na Bolsa de Valores. A Movida, controlada pela empresa de logística JSL e a quarta maior do segmento, realizou ontem o processo de avaliação da demanda dos investidores pela operação. O preço dos papéis foi estimado no valor mínimo, de R$ 7,50 — o máximo sugerido foi de R$ 11,30. A operação movimentou R$ 645,6 milhões, e as ações passam a ser negociadas no pregão da Bovespa amanhã.
A expectativa inicial da Movida era arrecadar R$ 790 milhões. Mas a empresa concordou, diante da procura abaixo do esperado, em reduzir o preço sugerido de R$ 8,90 para R$ 7,50. O lançamento das ações da Unidas, também nesta semana, dizem analistas, teria dividido a atenção dos investidores, puxando preços para baixo.
— A Movida anunciou primeiro sua abertura de capital. A expectativa era que a Unidas adiasse a oferta. Mas ela decidiu fazer quase simultaneamente à concorrente — diz uma fonte.
A Unidas, terceira maior locadora do país, pretende captar R$ 708 milhões com a oferta de ações, considerando o preço médio do intervalo proposto — de R$ 15,15 a R$ 18,70. A tomada de preços da oferta está prevista para sexta-feira.
Com esses dois IPOs (Oferta Pública Inicial, na sigla em inglês) passam a ser quatro as companhias de aluguel de veículos com papéis negociados em Bolsa no país: a Localiza e a Locamérica já têm capital aberto. Analistas explicam que o setor vem sendo resiliente à crise econômica e que papéis de empresas com essas características tendem a atrair investidores em Bolsa.
Estudo feito pela corretora Coinvalores mostra que, nos últimos anos, o faturamento das locadoras cresceu a taxas entre duas a três vezes o crescimento do PIB. A partir de 2015, quando a crise se acentuou, o ganho diminuiu, mas, ainda assim, foi substancial. A Localiza, por exemplo divulgou lucro de R$ 409,3 milhões em 2016, alta de 1,7%, mesmo em um ano de recessão de mais de 3%: sua receita atingiu R$ 4,4 bilhões.
— Mesmo com a retração do PIB, os números da Localiza são um bom retrato da dinâmica do setor — afirma Felipe Silveira, da Coinvalores.
ESPAÇO PARA CONSOLIDAÇÃO
As ações das duas empresas já listadas em Bolsa tiveram bom desempenho e superaram o Ibovespa em 2016, que subiu 38,9%. Os papéis da Localiza avançaram 41,34%, e os da Locamérica, 96,3%.
Dados da Associação Brasileira das Empresas Locadoras de Automóveis (Abla) mostram que as mais de 7.000 companhias de aluguel de veículos existentes no Brasil faturaram R$ 16,2 bilhões em 2015. No ano passado, o desempenho foi positivo, segundo o presidente do Conselho Nacional da Abla, Paulo Nemer, mas os dados ainda estão sendo consolidados. Para este ano, com a retomada da economia, espera-se novo crescimento das receitas.
— É um mercado ainda muito pulverizado no Brasil, com empresas pequenas atuando em diversos pontos do país — explica Nemer.
Por isso, os analistas veem espaço para uma consolidação, como aconteceu no setor de educação. A líder Localiza tem hoje apenas 7% do mercado, enquanto a Locamérica, a segunda, 6,5%, a Unidas, 4,3%, e a Movida, 3,4%. Os quase 80% restantes são de locadoras menores.
Nos últimos dois anos, diz Nemer, houve queda nas locações feitas por grandes empresas investigadas na Operação Lava-Jato. Outro cliente importante, o poder público, tornou-se um risco com o desarranjo das finanças de estados e prefeituras. Mas o aumento do aluguel de veículos por pequenas e médias empresas compensou esses fatores.
O Brasil tem uma frota de 1 milhão de veículos para aluguel. Considerando que o país tem pelo menos dez milhões de veículos em nome de empresas, Nemer vê espaço para crescimento no mercado de locação.
Fonte: O Globo

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