Fabricantes de caminhões já olham para expansão de 30%

Alta tende a superar os 24,7% estimados, mas eleições podem interferir nas projeções

Após registrar baixo crescimento de 3,2% em 2017 no segmento de pesados, formado por caminhões e ônibus, as fabricantes estão mais otimistas para este ano. Esta foi a visão que os representantes de seis montadoras (DAF, Ford, Iveco, MAN, Scania e Volvo) apresentaram no IX Fórum da Indústria Automobilística, realizado por Automotive Business no WTC, em São Paulo.

Durante o painel “O novo fôlego dos caminhões”, a opinião praticamente unânime dos executivos foi de que o crescimento previsto de 24,7% pela Anfavea e de 27,5% pela Carcon Automotive deve até ser superado em 2018. O otimismo se baseia em fatores como o aumento da confiança na economia e a melhora do PIB, a necessidade de renovação de frota, os bons resultados do agronegócio e a oferta de condições mais favoráveis de financiamento, por exemplo.

Apesar da visão positiva dos representantes das montadoras, o público do evento não se mostrou tão animado com o futuro próximo. Por meio de pesquisa eletrônica instantânea, 40,7% dos presentes indicaram que o mercado talvez não cresça 25%, mas certamente vai encerrar o ano com resultado positivo.

Oswaldo Ramos, diretor comercial da Ford Caminhões, vai na direção contrária e aposta em um crescimento ainda maior. “Embora a Ford não atue no segmento de pesados, acreditamos em um ano de boa recuperação, com crescimento de 43%”, afirma. Para ele, começou a haver um “descolamento” (ainda tímido) entre os cenários político e econômico por parte dos consumidores.

“Se o cliente precisa trocar de veículo, ele não pode esperar”, afirma Ramos.

O executivo da Ford também acredita que as eleições podem interferir negativamente, positivamente ou mesmo manter inalterada a intenção de compra dos consumidores.

Bernardo Fedalto, diretor comercial da Volvo, tem outra visão. Para ele, o cenário político é fundamental na análise dos clientes de caminhões pesados. “Saber quem será e como pensa o próximo ministro da Fazenda vai impactar em qualquer planejamento de longo prazo”, explica. A opinião foi compartilhada por Ricardo Vitorasso, diretor de vendas de caminhões da Scania.

Ricardo Barion, diretor de marketing e vendas da Iveco Latin America, também acredita em crescimento maior, de 30% a 40%, e explica que na crise o segmento dos caminhões pesados é o primeiro a cair, mas também o primeiro a crescer na fase de recuperação.

Para ele, a renovação entre os pesados ocorre por necessidade. Já a venda dos modelos urbanos está muito atrelada ao consumo da população. Ramos, da Ford, lembra que a tendência é de que surja uma nova forma de uso dos caminhões que não a posse. Leasing operacional, locação ou outra, que ainda está sendo desenvolvida.

O nível de produção atual também foi abordado no painel e, segundo dados oficiais, a fabricação de caminhões no primeiro trimestre deste ano apresentou elevação de 55,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Alta ainda maior ocorreu no segmento de ônibus (67,4%), e, no total, houve evolução de 57,6% na comparação com os resultados dos três primeiros meses de 2017. Mas a ociosidade das fabricantes se mantém elevada, com 70% em média.

Os representantes de Scania e Volvo, no entanto, afirmam que suas fábricas enfrentam realidade bem melhor que essa. “Nossa ociosidade é praticamente zero graças às exportações. Além disso, estamos aumentando a produção para atender ao aumento da demanda do mercado interno”, explica Ricardo Vitorasso, da Scania.

Bernardo Fedalto, da Volvo, lembra que a importação de componentes ainda representa um gargalo na produção, pois a empresa depende muito de peças vindas da matriz, na Suécia. O mesmo ocorre com a Scania.

O presidente da DAF Brasil, Michael Kuester, afirmou que o ritmo na linha de produção em Ponta Grossa (PR) tem acelerado gradativamente, acompanhando a demanda do mercado, e que não há gargalos a enfrentar neste momento. Mais recente fabricante de caminhões a implantar uma fábrica própria no Brasil, animada pelo boom do mercado brasileiro a partir de 2010, a DAF vem dobrando suas vendas no País ano a ano, “e devemos seguir assim este ano também”, acredita Kuester. Mas os volumes ainda são baixos, perto de mil unidades em 2017, ainda longe de alcançar a capacidade instalada no Paraná, de cerca de 10 mil/ano em um turno.

O painel se encerrou com a apresentação dos investimentos anunciados recentemente pelas fabricantes no Brasil. Serão US$ 120 milhões da Iveco (período de 2017 a 2019), US$ 1,5 bilhão da MAN LA/VWCO (2017 a 2020), US$ 2,4 bilhões da Mercedes-Benz (2018 a 2022), US$ 2,6 bilhões da Scania (2016 a 2020) e US$ 1 bilhão da Volvo (2017 a 2019). A Ford não divulga seus investimentos por questões estratégicas.

De acordo com Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e pós-venda da MAN Latin America, é razoável imaginar que o setor de caminhões e ônibus só retorne aos níveis recordes de venda de 2011 em 2022 ou 2023. Mas o executivo da MAN reforça que esses investimentos comprovam que as fabricantes permanecem acreditando no País e no potencial do mercado nacional. Essa aposta está atrelada à modernização dos produtos. Assim, a implantação de novas tecnologias, como serviços conectados, está contemplada nesses aportes.

Fonte: AutomotiveBusiness | WILSON TOUME, PARA AB – Comerciais | 16/04/2018 | 22h00

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