Aplicativos, carros elétricos e autônomos podem resolver a falta de espaço nas ruas

Novas alternativas prometem ganhar ainda mais força com a evolução da chamada eletrificação dos veículos

Por Marcos Horostecki, Florianópolis

Enquanto os governos permanecem inertes e têm dificuldades para conseguir recursos e vencer a buro­cracia que cerca a melhoria das condições de mobilida­de urbana nos grandes centros, uma verdadeira revo­lução está acontecendo, especialmente entre os jovens, para superar essa dificuldade e quebrar o paradigma que coloca o carro próprio como principal e mais deseja­do meio de transporte. Ela tem como ponto de partida as novas tecnologias, a informação na palma da mão por meio dos aplicativos e smartphones e se cristaliza no su­cesso de empresas como o Uber e a BlaBlaCar. Promete ganhar ainda mais força com a evolução da chamada eletrificação dos veículos e com o advento do carro autô­nomo, totalmente guiado por inteligência artificial.

“É cada vez maior a confiança das pessoas nos apli­cativos e seus resultados. Nós como empresa já ofere­cemos há muito tempo a possibilidade de compartilha­mento de veículos, mas a tecnologia está apoiando em muito o crescimento desta alternativa”, avalia Gabriel Andrade, executivo da Localiza, que nesta semana parti­cipou de fórum promovido pelo grupo Arteris, empresa controladora da Autopista Litoral Sul, concessionária da BR-101 em Santa Catarina. “A indústria está se renovan­do, os carros elétricos e autônomos estão aí. E esse futu­ro impacta socialmente na interação com a mobilidade”, acrescentou Leandro Esposito, executivo do aplicativo Waze, que acaba de lançar uma plataforma de caronas compartilhadas, o WazeCarpool.

Esposito lembrou do estudo feito pela consultoria Deloitte, que mostra que 62% dos jovens das gerações Y e Z que utilizam serviços de compartilhamento de au­tomóveis já acham dispensável a compra de um carro no futuro. A pesquisa vai mais longe e mostra que 55% dos brasileiros já questionam a necessidade de ter um veículo próprio. O executivo da Localiza, de outro lado, acrescentou que, hoje, um carro pertencente a uma fa­mília fica em média 22 horas parado por dia. Se fosse compartilhado, reduziria a necessidade de outros carros estarem sendo retira­dos de suas garagens, muitas vezes para percursos pequenos, o que só aumenta o congestionamento nos grandes centros.

As pessoas no centro da quebra de paradigmas

Assim como já acontece com as bicicletas, o compartilhamento de veículos está ganhando força no mundo e tende a chegar em breve em Santa Catarina. Já operam no país empresas como a PegCar e a Parpe, que disponibilizam algo em torno de mil veículos para uso compartilhado. Gabriel Andrade, da Localiza, diz que até as locadoras de veículos tradicionais estão apostando nesse mercado. “Fornecemos carros para quem dirige para a Uber, por exemplo, e estamos trabalhando para mostrar aos clientes a vantagem de compartilhar um carro alugado”, continuou.

A Uber já lançou um serviço de compartilhamento de viagens, o UberPool. A plataforma junta viagens de pessoas que estão perto e indo para lugares próximos ou em rotas similares. O aplicativo pool do Waze tem o diferencial de monetizar quem está oferecendo as caronas, outra alternativa já bastante conhecida fora do Brasil. “Para que a mobilidade aconteça, é preciso que as pessoas adotem um novo comportamento. A revolução está nas pessoas e na forma como elas pretendem se deslocar”, acres­centou Esposito.

Inteligência artificial ganhará força nos próximos anos

Para a construção da mobilidade a partir da tecnologia, os carros do futuro são considerados fundamentais. Se­rão elétricos, segundo garantem os especialistas e, mais adiante, au­tônomos, dirigidos totalmente por inteligência artificial. Assim como aconteceu com os carros atuais, eles estão sendo desenvol­vidos a partir de provas de automobilismo, como a Fórmula E, apenas com ve­ículos elétricos, e a RoboRace, apenas com carros dirigidos por inteligência artificial. O Ceo da RoboRace é o brasileiro Lucas Di Grassi, também campeão da Fórmula E. Durante o fórum realizado em São Paulo ele apresentou a evolução dos veículos com inteligência artificial e alertou para os gar­galos que podem fazem com que a novidade tenha problemas no Brasil. “Na questão da eletrificação dos carros no Brasil, será preci­so que haja capacidade de carga para aten­der a frota de carros elétricos na velocidade esperada”, complementou.

Lucas Di Grassi lembrou que, além de contribuir com a mobilidade, os veículos atônomos devem melhorar a segurança no trânsito. Uma pesquisa divulgada pelo Gru­po Arteris, que envolveu 2,6 mil motoristas, mostra que os motoristas brasileiros têm a mesma percepção. 58% acreditam que o trânsito ficará mais seguro. Para 66% deles, esses veículos serão uma realidade nos pró­ximos dez anos. Esse tipo de veículo deverá facilitar não apenas o serviço de comparti­lhamento, mas o transporte por aplicativos e até mesmo melhorar o deslocamento de casa ao trabalho, mesmo que a pessoa resi­da mais distante do trabalho. “Ela poderá se deslocar descansando ou visualizando suas redes sociais”, acrescentou Di Grassi.

 

Fonte: Notícias do Dia

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