Transferência digital de veículos vira realidade no Brasil
Transferência digital de veículos vira realidade no Brasil. A digitalização do processo já simplifica a compra e venda, mas muitos motoristas ainda têm dúvidas sobre como funciona.
A transferência digital de veículos saiu do papel ao longo de 2025 e, agora em dezembro, já faz parte da rotina em boa parte do país. A lei que autorizou o procedimento eletrônico foi sancionada no segundo semestre e abriu caminho para que compradores e vendedores façam tudo diretamente pelo celular, sem cartório e sem papelada.
A mudança elimina a exigência de reconhecimento de firma e permite até que a assinatura eletrônica valide o negócio. O processo ocorre dentro de plataformas oficiais, como a Carteira Digital de Trânsito, os sistemas dos Detrans e a Senatran. A previsão do governo federal é que todos os estados estejam integrados em 2026, embora muitos já tenham iniciado a adesão.
Para o motorista, isso significa menos custos, menos deslocamentos e um processo que tende a ficar mais ágil. Em vez de diversos passos presenciais, a transferência se concentra em etapas digitais, com notificações em tempo real. Essa praticidade, porém, pode deixar alguns motoristas confusos, especialmente aqueles que não são tão familiares com a tecnologia.
Como funciona a transferência digital na prática
A transferência começa no aplicativo, onde comprador e vendedor acessam os dados do veículo, confirmam as informações e assinam eletronicamente o ATPV-e. Esse documento já tinha sido introduzido nos últimos anos, mas agora assume um papel central.
A assinatura eletrônica validada é o ponto que mais gera dúvida entre os motoristas. A versão de assinatura simples, acessada com a conta gov.br de nível ouro ou prata, já é aceita para a maioria das operações. Em alguns estados, um certificado digital de pessoa física segue como alternativa para garantir a autenticidade.
O resultado é um processo mais rápido. Dados da Senatran divulgados em outubro mostraram que o tempo médio de conclusão da transferência caiu de oito para três dias úteis nos estados que já migraram para o modelo totalmente digital. Para quem compra e vende carro usado com frequência, isso representa um ganho direto de tempo e organização.
E a vistoria? Também muda
A vistoria veicular segue como etapa obrigatória, mas a lei abriu caminho para a digitalização gradual desse procedimento. Alguns Detrans já testam modelos de vistoria online para situações específicas, usando fotos, inteligência artificial e validação automatizada.
Esses testes ainda são restritos, mas a expectativa é de expansão ao longo de 2026. Enquanto isso, a vistoria presencial continua sendo o padrão, especialmente para detectar danos estruturais, alterações ou indícios de fraude.
O impacto para o mercado de usados
A digitalização chega em um ano de aquecimento na compra e venda de veículos usados. A Fenauto estima que o mercado deve fechar 2025 com mais de 14 milhões de transferências, um volume impulsionado pela maior oferta de carros e pela busca por processos mais rápidos.
Com a nova lei, a tendência é que as transferências fiquem mais previsíveis. Empresas que lidam com grandes volumes de documentos, como locadoras, revendedoras e plataformas de intermediação, devem sentir um impacto direto na redução de etapas administrativas.
É nesse ponto que serviços de histórico veicular ganham ainda mais importância. Processos digitais trazem agilidade, mas também exigem que comprador e vendedor chequem informações antes de confirmar a assinatura. Sistemas como a Motor Consulta ajudam a identificar débitos, restrições, passagem por leilão e possíveis indícios de fraude, o que complementa a segurança do novo procedimento eletrônico.
O que o motorista precisa fazer agora
Quem pretende usar a transferência digital deve manter a conta gov.br atualizada e, quando necessário, obter um certificado digital. O uso é simples, mas ainda gera dúvidas, principalmente entre quem sempre lidou com cartórios para esse tipo de serviço.
É importante acompanhar o cronograma do Detran do estado, já que a adoção completa depende da integração local. Mesmo com a mudança, vale lembrar que a responsabilidade pelas informações no momento da assinatura é das duas partes. Por isso, verificar histórico, vistoria e situação financeira do veículo continua sendo essencial.
A digitalização avança, e o processo tende a ficar cada vez mais natural para quem compra e vende carro. A nova lei inaugura uma etapa de modernização que reduz burocracias e aproxima o país de modelos já adotados em outros mercados, dando mais ritmo à relação entre tecnologia e mobilidade no dia a dia do motorista.
Transferência digital de veículos vira realidade no Brasil
