Locadoras ampliam foco em mobilidade corporativa
Locadoras ampliam foco em mobilidade corporativa e gestão tecnológica de frotas
O mercado brasileiro de locação de veículos passa por uma transformação estrutural impulsionada pela digitalização das operações, pela expansão dos contratos corporativos e pela busca das empresas por soluções de mobilidade mais flexíveis e previsíveis. O movimento vem levando as locadoras a reposicionarem seus negócios, deixando de atuar apenas com aluguel por diária para oferecer serviços integrados de gestão de frotas e mobilidade corporativa.
Segundo dados da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA), o setor deve superar R$ 60 bilhões em faturamento em 2025, com crescimento acima de 13% em relação aos R$ 52,9 bilhões registrados no ano anterior. A expansão é puxada principalmente pela demanda corporativa e pelo avanço dos contratos de médio e longo prazo.
De acordo com Gustavo Carosella, Country Manager Brasil da Rently Soft, o setor vive um momento de modernização operacional e consolidação estratégica. “As locadoras estão investindo em inteligência de gestão, digitalização e análise de dados para sustentar crescimento com rentabilidade, qualificar a tomada de decisão e responder a um mercado cada vez mais competitivo”, afirma.
Tecnologia ganha espaço na operação das locadoras
A adoção de plataformas digitais tornou-se um dos principais pilares dessa transformação. Sistemas de gestão de frotas permitem acompanhar em tempo real a utilização dos veículos, programar manutenções preventivas, monitorar custos operacionais e automatizar processos administrativos.
Segundo o executivo da Rently Soft, a integração de dados financeiros, comerciais e operacionais ajuda as empresas a aumentar produtividade e previsibilidade. Além de reduzir riscos.
Thiago Muniz, CEO da Receita Previsível e da B2B Stack, avalia que as plataformas tecnológicas passaram a ter papel estratégico nas operações de rent a car. “Ao integrar informações financeiras, comerciais e operacionais, essas soluções oferecem uma visão mais consistente do desempenho das empresas, fortalecendo transparência, governança e planejamento”, analisa.
Mobilidade corporativa avança entre empresas
O crescimento dos contratos corporativos também reflete uma mudança na forma como as empresas administram sua mobilidade. Em vez de manter frota própria, muitas companhias passaram a optar pela terceirização da gestão dos veículos. Desta forma, transformam custos de aquisição e manutenção em despesas operacionais mais previsíveis.
Com o suporte de plataformas digitais e analytics, as empresas conseguem monitorar utilização da frota, consumo, desempenho operacional e necessidade real de veículos. “Não é raro que empresas descubram, a partir do uso de plataformas de gestão e análise de dados, que conseguem operar com menos veículos do que imaginavam”, destaca Gustavo Carosella.
Além da redução de custos e da simplificação operacional, o modelo também contribui para renovação mais frequente das frotas corporativas. Um fator que pode trazer ganhos de eficiência energética e redução de emissões.
Concorrência e novos modelos desafiam setor
Apesar do crescimento, o mercado também enfrenta novos desafios. Startups de mobilidade, plataformas digitais e montadoras passaram a disputar espaço com serviços de assinatura de veículos e soluções compartilhadas. Para acompanhar as mudanças, as locadoras vêm investindo em automação, inteligência operacional e treinamento de equipes para atuação mais consultiva junto aos clientes corporativos.
“A consolidação desse novo modelo passa diretamente pela maturidade tecnológica do setor. Softwares de gestão integrada, análise de dados em tempo real e automação de processos permitem que as locadoras operem com maior eficiência e escalem contratos corporativos complexos”, afirma Thiago Muniz.
Para Gustavo Carosella, a transformação do setor deve se intensificar nos próximos anos. “Dados, integração de sistemas e inteligência operacional passaram a ser elementos centrais para a sustentabilidade e a competitividade do negócio no longo prazo”, conclui.
