Seminovos de dois anos ganham força no mercado

Desvalorização do carro novo impulsiona busca por seminovos de até dois anos. Alta nos custos de manutenção reforça preferência por modelos conhecidos pela durabilidade e baixo custo de reparo

A desvalorização acelerada dos veículos novos e o aumento dos custos de manutenção estão mudando o comportamento dos consumidores no mercado de usados. Segundo dados divulgados pelo portal Comprecar, modelos seminovos com cerca de dois anos de uso ganharam espaço por oferecerem um equilíbrio entre preço, estado de conservação e previsibilidade dos gastos com manutenção.

O movimento ocorre em um momento de inflação persistente sobre autopeças, pneus e serviços automotivos. Com isso, o custo de manter um veículo passou a pesar mais na decisão de compra do que apenas o preço anunciado.

Estimativas citadas pela empresa indicam que a manutenção preventiva e corretiva pode representar entre 10% e 15% do valor de mercado de um veículo usado ao longo de um ano. Esse cenário favorece automóveis com histórico de confiabilidade mecânica e ampla disponibilidade de peças.

Para o mercado de locação de veículos, a tendência também merece atenção. A valorização de modelos reconhecidos pela robustez pode influenciar tanto a formação de preços dos seminovos vendidos pelas locadoras quanto as estratégias de renovação de frota, já que esses veículos tendem a apresentar maior liquidez na revenda.

Modelos de manutenção previsível lideram a procura

Entre os veículos mais procurados estão modelos já consolidados no mercado brasileiro. No segmento de comerciais leves e compactos, Fiat Strada e Volkswagen Gol aparecem entre os destaques devido ao custo reduzido de manutenção e à facilidade para encontrar peças.

Já entre os sedãs, Toyota Corolla e Honda Civic seguem como referências por apresentarem histórico de confiabilidade mecânica e menor incidência de problemas, fatores que reduzem o risco de despesas inesperadas para o proprietário.

Segundo o levantamento, o consumidor passou a avaliar o chamado custo total de propriedade, considerando despesas futuras com revisões, peças e mão de obra antes de fechar negócio.

Veículos confiáveis permanecem menos tempo à venda

Outro indicador apresentado pela Comprecar mostra que veículos conhecidos pela baixa necessidade de manutenção permanecem menos tempo anunciados.

De acordo com o Indicador TMA (Tempo Médio de Anúncio) do portal, esses modelos podem levar até 40% menos tempo para serem vendidos em comparação com veículos de perfil semelhante, mas com histórico de manutenção mais caro.

Para o jornalista automotivo Junior Videira, da ComprecarTV, o comportamento reflete um consumidor mais cauteloso diante do aumento dos custos do setor.

Segundo ele, modelos com mecânica conhecida, ampla oferta de peças e manutenção previsível oferecem maior segurança financeira ao comprador. Em muitos casos, um veículo inicialmente mais barato pode se tornar mais caro ao longo do tempo caso exija componentes de alto valor ou mão de obra especializada.

Essa mudança também reduz o interesse por modelos com menor oferta de peças ou tecnologias que elevem o custo de reparo, reforçando a busca por veículos reconhecidos pelo bom custo-benefício.

Impacto pode chegar ao mercado de locação

Embora o levantamento seja voltado ao mercado de veículos usados, seus reflexos podem alcançar as locadoras.

Frotas formadas por modelos com elevada reputação de confiabilidade costumam preservar melhor o valor de revenda. E encontra compradores com mais rapidez quando deixam a operação. Isso contribui para reduzir o custo total de renovação da frota e pode influenciar as escolhas das empresas na aquisição de novos veículos.

Além disso, consumidores que buscam seminovos frequentemente encontram nas locadoras uma oferta de veículos com histórico de manutenção documentado. E também de idade reduzida, características que ganham importância em um mercado cada vez mais atento ao custo de propriedade.

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