Pesquisa aponta profissionalização da gestão

Pesquisa aponta profissionalização da gestão como principal motivo para criação de conselhos. Estudo da Wide e da ABC3 ouviu 178 profissionais e identificou desafios na governança, na estratégia e na transformação digital das empresas

A necessidade de profissionalizar a gestão é o principal motivo para a criação ou ampliação de conselhos empresariais no Brasil. Segundo pesquisa desenvolvida pela Wide, em parceria com a Associação Brasileira de Conselheiros Consultivos (ABC3), 50% das empresas apontam essa necessidade como um dos fatores que impulsionam a adoção desse modelo de governança.

O estudo “A Governança em Evolução: a visão de Conselheiros e Empresários sobre o próximo ciclo das empresas” foi realizado entre abril e julho de 2026. A pesquisa ouviu 178 profissionais, sendo 121 conselheiros e 57 empresários, de diferentes portes e segmentos.

A amostra é formada principalmente por empresas B2B, que representam 26% dos participantes, seguidas pelos setores de indústria e manufatura (13%) e construção e infraestrutura (11%). Mais de 60% das companhias têm até 200 colaboradores, enquanto 55% estão concentradas no Sudeste. Um terço delas registra faturamento superior a R$ 500 milhões por ano.

Crescimento e eficiência estão entre as prioridades dos conselhos

O crescimento é a principal prioridade estratégica das empresas ao consolidar um conselho, citado por 80% dos participantes. Em seguida, aparece o ganho de eficiência, com 67%. A sucessão foi mencionada por 17%, enquanto a estruturação da governança aparece em 13% das respostas.

Além da profissionalização da gestão, apontada por 50% dos entrevistados como motivo para criar ou ampliar um conselho, a busca por apoio à estratégia foi citada por 41%. O crescimento e a expansão dos negócios aparecem em 32% das respostas.

Apesar do avanço dessa estrutura, a pesquisa identificou que as decisões ainda permanecem concentradas nos fundadores em 53% das empresas. Em outras 32%, a liderança já conduz as questões de governança com maior autonomia.

Entre os principais pontos de atenção identificados por acionistas e empresários estão a ausência de direcionamento estratégico, mencionada por 55%, e a falta de uma visão mais consistente sobre tecnologia e transformação digital, apontada por 45%.

Para Thiago Xavier, headhunter e sócio da Wide, a consolidação dos conselhos está relacionada à busca por maior qualidade nas decisões e por uma gestão mais estruturada. O objetivo é apoiar as prioridades estratégicas e preparar as empresas para crescer e ampliar sua competitividade.

Networking é a principal origem dos convites para conselheiros

O levantamento também analisou o perfil dos profissionais que atuam em conselhos empresariais e as oportunidades de carreira nessa área. Entre os conselheiros entrevistados, 39% têm entre 55 e 64 anos, o que reflete a presença de profissionais com trajetórias executivas mais experientes.

Mais de 60% já ocuparam posições de diretor, head ou C-level, enquanto 17% tiveram experiência como CEO. Nos primeiros cinco anos de atuação como conselheiro, é mais comum participar de um ou dois conselhos. Com o avanço da experiência, a tendência é ampliar a presença em diferentes empresas.

A rede de relacionamentos tem papel central nesse processo. Mais de 82% dos convites para atuar como conselheiro têm origem no próprio networking dos profissionais ouvidos.

A remuneração, por sua vez, ainda apresenta modelos distintos. Entre os participantes, 33% recebem remuneração fixa, enquanto 30% não são remunerados. Os dados indicam que a atuação em conselhos está em processo de amadurecimento e profissionalização, sem um padrão plenamente consolidado.

Falta de estrutura limita a atuação dos conselhos

A pesquisa também identificou obstáculos que comprometem a efetividade dos conselhos. Para 45% dos conselheiros entrevistados, a falta de estrutura de gestão é um dos principais entraves. A baixa clareza sobre papéis e responsabilidades aparece em 42% das respostas, seguida pela ausência ou insuficiência de indicadores, citada por 40%.

Questões societárias também podem dificultar o trabalho, especialmente quando há pouca abertura dos sócios para a atuação do conselho ou conflitos entre as partes. Esses fatores afetam a qualidade das discussões e a fluidez da tomada de decisões.

O levantamento aponta, portanto, que a efetividade dos conselhos depende de condições que vão além da escolha dos profissionais. Clareza sobre as atribuições, acesso às informações e disponibilidade de indicadores são elementos necessários para que a estrutura contribua para os resultados das empresas.

Na avaliação apresentada pelo estudo, a governança corporativa vem assumindo uma função cada vez mais prática, relacionada ao crescimento, à qualidade das decisões e à continuidade dos negócios. A evolução, embora gradual, reforça a busca por estruturas capazes de identificar lacunas internas, orientar estratégias e sustentar a competitividade das companhias.

Wide

Com mais de 70 anos de experiência combinada entre seus profissionais, a Wide atua no recrutamento executivo, com foco nas necessidades e nos objetivos de cada empresa. A consultoria também trabalha com demandas relacionadas à governança corporativa.

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