Para fundador do Waze, próxima geração não dirigirá mais um carro.

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Uri Levine incentivou campuseiros a se apaixonarem pela resolução de problemas. Para ele, indústria do carro como hoje conhecemos morrerá.

Um dos muitos apostos para o israelense Uri Levine é que faz dele um grande apostador de tendências. Além de co-fundar o aplicativo Waze, o mesmo que o Google comprou em 2013, Levine é conhecido por ser um empreendedor e investidor em série. Segundo ele, é algo que resulta de uma espécie de compulsão: ele sempre está pensando em como resolver problemas.

Levine é também uma das mentes por trás da Moovit, um Waze para usuários do transporte público e da FairFly, empresa de monitoramento de passagens aéreas. Quando recebeu cerca de US$ 1 bilhão do Google pela venda do Waze, Levine não hesitou em usar o dinheiro para investir em outras startups. Para o israelense, criar uma startup é como se apaixonar e mais do que se apaixonar pelo negócio é preciso se apaixonar pelo problema. “Apaixone-se pelo problema e não pela solução. Pense em como você está o resolvendo, o valor que está criando com o problema que você quer resolver. Se você pensa no problema primeiro, você terá mais chances de resolver e sobreviver”, ensina.

E a habilidade de sobreviver em meio a disrupção digital é algo que Levine toca várias vezes durante sua palestra. Ele estima que nos próximos 10 anos, das 10 maiores empresas globais que temos atualmente, apenas metade irá se manter no topo. Para reforçar essa projeção, Levine evoca um mundo que hoje parece tão distante: aquele onde não exista iPhone, Netflix, Uber, Spotify. “A maioria das coisas que usamos hoje não existiam há 10 anos. Pense nisso e o que isso significa em 10 anos no futuro. O passo da inovação está tão acelerado que é difícil prever”, reflete. “Mas o mais importante é pensar quais são as empresas que substituirão essas que irão morrer e a verdade é que elas nem existem ainda”, complementa.

Entre uma das indústrias que irá se transformar completamente está, inclusive, uma em que o Waze está inserido. Para Levine, a próxima geração não irá ter um carro, sequer dirigirá um. “E a próxima a eles, quando falarmos que a gente costumava nos dirigir aos lugares, isso não fará sentido para eles. Eles não acreditarão”, ressalta. Segundo o empreendedor, todas os negócios que têm o carro como principal “cliente” irão morrer senão se reinventarem.

“Se você é uma montadora, se você não parar de vender carros para vender quilômetros rodados, você morrerá. Se você não parar de vender seguros para carros para vender seguros para quilômetros rodados, você morrerá. Se você estiver vendendo empréstimo para carros, você vai ter de descobrir o que você estará fazendo, senão você terá um problema. Se você for uma autoescola, bem, você morrerá”, aposta Levine.

Motoristas de aplicativos e taxistas, segundo o empreendedor, serão os primeiros a serem afetados por esse mundo onde não haverá mais uma pessoa de carne e osso atrás do volante. E é nesse momento que Levine sinaliza que prevê que o próprio Waze irá sofrer uma grande disruptura. “Vocês usam o Waze, talvez, duas vezes por dia. Motoristas (de apps), usam 12 horas por dia”, pontua. Em ruas e rodovias sem motoristas, quem irá recorrer ao Waze para não chegar tarde ao trabalho? “Se você não mudar o seu modelo de negócio para aquele que se tornará significante, você morrerá”, aconselha Levine aos campuseiros.

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