Depreciação real supera índices de tabelas tradicionais

Depreciação real supera índices de tabelas tradicionais. Chega a 10,2% em 12 meses, enquanto referências apontam média de 4%; tema foi discutido no Rental Mobility 2026

O Rental Mobility 2026, evento organizado pelo Sindicato das Empresas Locadoras de Veículos Automotores do Estado de São Paulo (Sindloc-SP), discutiu os efeitos da depreciação sobre os resultados das locadoras. Na palestra “Gestão Estratégica de Estoque”, executivos da Mega Dealer e da Auto Avaliar apresentaram dados sobre a perda de valor dos veículos e os impactos da gestão do estoque sobre o caixa das empresas.

Segundo levantamento apresentado por J. R. Caporal, CEO da Mega Dealer e presidente da Auto Avaliar, e Bruno Leite Ferreira, diretor comercial de atacado da empresa, a queda média do preço dos veículos ao consumidor chegou a 10,2% nos últimos 12 meses.

O índice ficou acima dos 4% registrados, em média, pelas tabelas tradicionais de referência no mesmo período. Em casos específicos, a diferença entre o comportamento real dos preços e os índices tabelados chegou a superar vinte vezes.

Depreciação e risco de capital

Para os executivos, a diferença entre o valor indicado pelas referências e o preço efetivamente praticado no mercado pode afetar diretamente os resultados das empresas que administram frotas.

A apresentação também abordou o conceito de “risco de capital”. Ele considera três fatores: a pressão sobre os preços provocada por novos modelos, os descontos oferecidos para veículos zero-quilômetro e o tempo de permanência dos usados no estoque.

Nesse cenário, manter um veículo parado à espera de uma oferta melhor também gera custos. Um exemplo apresentado durante a palestra mostrou que a combinação entre depreciação e custo financeiro pode consumir mais de R$ 3.600 em 30 dias para um veículo popular.

O valor equivale a cerca de R$ 900 por semana de permanência no estoque. Por isso, os palestrantes defenderam uma gestão baseada em quatro pontos: compra criteriosa, acompanhamento contínuo da depreciação, prioridade para o giro do estoque e reposicionamento dos ativos para o próximo ciclo.

Reforma tributária também entra na gestão do estoque

Outro ponto abordado foi o impacto da reforma tributária sobre o caixa das empresas. A discussão envolveu o split payment, mecanismo que prevê a separação e o recolhimento do imposto no momento do pagamento.

Com o novo modelo, a empresa terá de separar de forma clara o valor da mercadoria e a carga tributária na operação. Segundo os palestrantes, essa mudança pode ter impacto maior sobre empresas com menor disponibilidade de capital.

As locadoras também podem enfrentar efeitos específicos durante a transição. Um dos cenários citados envolve veículos adquiridos sob o regime tributário anterior e vendidos já sob as novas regras. Nesse contexto, os executivos destacaram a necessidade de acompanhamento especializado para avaliar os efeitos tributários das operações.

A palestra “Gestão Estratégica de Estoque” integrou a programação do Rental Mobility 2026. O evento reuniu discussões sobre gestão, rentabilidade e operação no setor de locação de veículos.

Segundo dados institucionais do Sindloc-SP apresentados no evento, o setor reúne cerca de 3,9 mil locadoras associadas, mais de 1 milhão de veículos em circulação e R$ 104 bilhões em frota em uso. O segmento também registra faturamento de R$ 17,6 bilhões, mais de 27,7 milhões de usuários e mais de 30 mil empregos diretos.

A Auto Avaliar, responsável pelo levantamento apresentado, atua com cerca de 6 mil concessionárias. A empresa também informa participação de 85% no mercado em que atua e mais de R$ 12,8 bilhões em transações processadas anualmente.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *