Opinião: Novo normal das viagens corporativas inclui reuniões híbridas

As viagens corporativas foram fortemente afetadas pela pandemia da Covid-19. O impacto negativo só não foi maior em função do bom desempenho das locadoras de veículos, que mantiveram crescimento em relação a 2019 em função da parada das viagens aéreas.

 

No ano passado, diante da quase paralisação da economia a partir de março, as viagens realizadas por empresas, no Brasil e no exterior, quase não ocorreram. Eventos, como feiras e exposições, foram suspensos. O impacto negativo só não foi maior em função do bom desempenho das locadoras de veículos, que mantiveram crescimento em relação a 2019 em função da parada das viagens aéreas.

Mas, finalmente, neste final de 2021, o setor começa a mostrar bons sinais de recuperação, com o avanço da vacinação e a retomada de viagens e eventos. A Abracorp (Associação Brasileira das Agências de Viagens Corporativas) espera que o segmento feche o ano em níveis apenas 25% a 30% abaixo a 2019, antes da pandemia. Desde abril de 2021, vem se notando sinais de retomada.

Para 2022, as perspectivas são ainda mais otimistas.

Há uma demanda reprimida em todos os setores e a recente abertura de fronteiras de vários países começa a agitar também o mercado internacional. Esse segmento representava, em 2019, cerca de 35% do volume transacionado pelas agências ligadas à Abracorp. Mas atualmente responde por apenas 10%.

Um dos sinais de volta à normalidade ocorreu no começo de outubro deste ano. Igor Tosqui, profissional da área comercial na Scania, uma das maiores montadoras de caminhões do mundo, embarcou em Congonhas para Curitiba em uma longa jornada de viagens aos revendedores da marca Brasil afora. Após longo período conversando só por plataformas on-line. A Scania, gigante multinacional, autorizou o reinício das viagens de seus colaboradores.

Foi um momento emblemático para o setor de viagens corporativas.

A decisão da Scania, atendida por associados da Abracorp, é apenas um exemplo do que vem ocorrendo em inúmeras empresas, tanto grandes, como médias e pequenas.

Essa é a dinâmica das viagens corporativas. Envolvendo e integrando uma incontável rede de produtos e prestação de serviços, de pessoas e empresas. O viajante corporativo movimenta gigantesca cadeia produtiva. Desde uma pequena fábrica de peças até restaurantes, aplicativos de mobilidade e seguro-viagem, gerando emprego e renda.

As viagens e os eventos corporativos estão sendo retomados agora com um modelo diferente.

As reuniões híbridas, presenciais e virtuais, estão consolidando novas dinâmicas de encontros no novo normal pós-pandemia. O uso dos recursos de transmissão digital ampliou a conexão com públicos ainda maiores para as empresas. As experiências que temos conhecimento dão conta de que o híbrido veio forte. Os eventos presenciais, transmitidos on-line, mundo afora, estão unindo o público virtual com o presencial.

E como será essa recuperação a partir de 2022?

Certamente a governança tem uma posição de relevância. A pandemia trouxe alguns alertas para a sociedade como um todo. Cuidar do próximo, a união, a disciplina e uma crescente preocupação das empresas com as responsabilidades social e corporativa devem elevar o nível das relações B2B a patamares mais duradouros e sustentáveis em todos os sentidos.

A maioria das agências reduziu o quadro de funcionários para 50% na pandemia e agora busca a reposição das vagas. E novas dinâmicas de atendimento serão necessárias. Com treinamento de equipes, acrescido dos cuidados exigidos pela LGPD e dos protocolos de saúde.

Por tudo isso, novembro nos traz motivos de sobra para acreditarmos, mais ainda, na recuperação. Não se pode, porém, renunciar à vacinação em massa em toda a população brasileira e mundial. E também dos protocolos de higiene. O mundo das viagens e eventos corporativos agradece.

 

Gervásio Tanabe – Presidente executivo da Abracorp (Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas
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