Rentabilidade da locação: onde está o lucro?
Rentabilidade da locação: onde está o lucro?
O Rental Mobility 2026 reuniu profissionais do setor de locação de veículos em São Paulo para discutir temas ligados à operação, gestão e rentabilidade das empresas. Realizado em 24 de setembro, o evento teve uma programação técnica voltada aos desafios enfrentados pelas locadoras no mercado brasileiro.
Com apoio institucional do SINDLOC-SP, o encontro abordou diferentes aspectos da atividade de locação. Entre os temas discutidos esteve a relação entre preço, custos, gestão dos ativos e resultado financeiro das operações.
A programação foi aberta com a palestra “A Rentabilidade da Locação: o Lucro Está no Aluguel ou na Gestão do Ativo?”, apresentada por Juan Marco, fundador da Locpriced e especialista em precificação para locadoras. O especialista mostrou que a rentabilidade de uma locação não depende apenas do valor cobrado pelo veículo.
Segundo Juan Marco, aplicar um percentual sobre o valor do veículo ou acompanhar os preços da concorrência não é suficiente para definir uma tarifa. A formação de preço precisa considerar os custos e as características de cada operação. De acordo com o especialista, esse cálculo pode envolver entre 20 e 60 variáveis.
Formação de preço considera custos da operação
Um exemplo apresentado durante a palestra mostrou essa diferença. Duas locadoras cobraram o mesmo valor pelo mesmo veículo e para o mesmo cliente. Em um dos casos, o contrato gerou resultado positivo de R$ 5.900. No outro, houve prejuízo de R$ 5.300.
A diferença estava na estrutura de cada operação. Taxas de financiamento, deságio na revenda e custos administrativos alteraram o resultado dos contratos. Assim, uma mesma tarifa pode representar lucro para uma empresa e prejuízo para outra.
Segundo o especialista, a depreciação e a estrutura de financiamento estão entre os fatores de maior impacto sobre a rentabilidade. Por isso, o preço precisa considerar não apenas o período em que o veículo permanece alugado, mas também o resultado esperado na sua desmobilização.
A estimativa do valor residual é outro ponto relevante. Quando a projeção para a venda do veículo usado fica acima do valor efetivamente obtido, a diferença reduz a margem construída durante a locação.
O capital de giro também entrou na discussão. A necessidade de caixa pode ser subestimada quando a análise se concentra apenas na rentabilidade de cada contrato. Segundo Juan Marco, esse problema já levou empresas de grande porte a reduzir equipes diante da falta de recursos para manter a operação.
A palestra também abordou os impactos da reforma tributária na precificação. A partir de janeiro de 2027, a cobrança deverá seguir uma nova lógica, com os tributos destacados na nota fiscal. A mudança exige atenção à composição das tarifas e aos cálculos utilizados pelas locadoras.
Como ferramenta para acompanhar esses fatores, Juan Marco apresentou a metodologia PDCA. A proposta é utilizar um processo contínuo de planejamento, execução, verificação e correção para acompanhar os resultados e ajustar a operação.
