Movida reduz ritmo de expansão da frota
Movida reduz ritmo da expansão da frota e prepara emissão de R$ 1,275 bilhão em debêntures
A Movida está reduzindo o ritmo de expansão da frota e concentrando esforços no aumento da utilização dos veículos e na eficiência operacional. A estratégia ocorre em um cenário de juros elevados e maior custo de capital.
Em entrevista ao NeoFeed, publicada nesta terça-feira (22), o CEO da Movida, Gustavo Moscatelli, afirmou que a companhia não pretende ampliar a frota apenas para aumentar sua escala. Segundo ele, a empresa busca extrair mais eficiência da estrutura atual.
A companhia encerrou junho com 286 mil veículos na frota consolidada, alta de 9% em um ano. A frota operacional média chegou a 244 mil carros, crescimento de 10% no mesmo período. No segundo trimestre, a taxa de ocupação operacional alcançou 76,2%. O índice avançou 2,1 pontos percentuais em 12 meses. Já o volume de diárias cresceu 22%, para 7,4 milhões.
Ao mesmo tempo, a Movida segue comprando veículos para reposição da frota e reforço em períodos de maior demanda. Portanto, a estratégia não representa uma interrupção das aquisições.
Movida amplia foco em eficiência operacional
A companhia também está aumentando a participação de serviços realizados internamente. Uma das frentes é o Movida Pit Stop, rede própria de oficinas voltada principalmente à manutenção preventiva. A Movida abriu dez oficinas desde fevereiro e pretende chegar a 50 unidades até o fim de 2027.
A meta é realizar internamente cerca de 60% da manutenção preventiva da frota. As unidades são voltadas a serviços como troca de óleo, freios, pneus e outros procedimentos rápidos. A estratégia também envolve a preparação dos veículos que deixam a operação de aluguel e seguem para venda como seminovos. A Movida possui quatro centros próprios e pretende chegar a dez até meados de 2027.
De acordo com a empresa, entre 7 mil e 8 mil veículos deixam a operação de aluguel todos os meses para serem comercializados. Os centros realizam serviços de pintura, mecânica, lavagem e polimento. A verticalização busca reduzir o tempo dos veículos fora de operação e os custos relacionados à manutenção e preparação dos carros.
Nova emissão de debêntures
No mesmo dia, a Movida comunicou ao mercado a classificação de risco atribuída pela Moody’s Local Brasil à 29ª emissão de debêntures da companhia. A agência atribuiu rating “AA+.br” à oferta. A emissão reúne 1,275 milhão de debêntures, com valor nominal de R$ 1 mil cada.
Com isso, o montante total da oferta chega a R$ 1,275 bilhão. As debêntures são simples, não conversíveis em ações e da espécie quirografária, com garantia adicional fidejussória. A oferta é destinada exclusivamente a investidores profissionais e segue o rito de registro automático de distribuição previsto na Resolução CVM 160.
A Movida Locação de Veículos S.A. atua como fiadora da emissão. UBS BB e Caixa Econômica Federal são os coordenadores da oferta. A classificação “AA+.br” foi atribuída pela Moody’s Local Brasil em 22 de setembro de 2026. A própria companhia ressalta que as características do papel podem sofrer alterações.
A página de relações com investidores da Movida registra que a companhia já possui outras emissões de debêntures avaliadas pela Moody’s, além de classificações atribuídas por S&P e Fitch.
Frota e cenário de juros
A decisão de desacelerar a expansão ocorre enquanto a Movida busca elevar a rentabilidade da frota existente. A companhia também vem ajustando a composição dos veículos. Segundo o executivo, a Movida reduziu a exposição a modelos de maior valor e mantém uma frota mais concentrada em veículos de menor preço.
A empresa possui cerca de mil veículos de marcas chinesas, principalmente híbridos da GWM, segundo informações divulgadas ao NeoFeed. A companhia também afirmou que não pretende ampliar, neste momento, sua exposição aos modelos totalmente elétricos. O movimento ocorre em paralelo à busca por maior eficiência operacional. No segundo trimestre, o retorno sobre o capital investido (ROIC) da Movida chegou a 16,7%, segundo dados citados pelo NeoFeed.
A nova emissão de R$ 1,275 bilhão amplia as alternativas de financiamento da companhia. O comunicado divulgado nesta terça-feira, porém, não informa uma destinação específica dos recursos da oferta. Por isso, não é possível estabelecer, a partir do documento, uma relação direta entre a emissão e os investimentos na frota ou nas oficinas.
