Startup de locação de carro cresce sem frota própria

Com pouco mais de um ano de fundação, a Kovi, startup que atua na locação de carros para motoristas de aplicativos, vai se tornar o maior cliente da Maestro Frotas, uma das maiores do setor de locação no país.

Pelo acordo, a Kovi vai contratar 1.350 carros até janeiro de 2020, quase o dobro do atual maior cliente da Maestro, que usa 700 carros. A startup já tem 400 carros contratados com a Maestro, que para atender à nova demanda planeja investir um total de R$ 50 milhões, diz Fabio Lewkowicz, presidente da Maestro.

Criada por dois ex-executivos da 99, a Kovi não opera com frota própria. Em vez disso, aluga carros de outras locadoras e até de montadoras. A lista de fornecedores conta com 15 empresas com as quais a startup tem cinco mil carros contratados.

Segundo Adhemar Milani Neto, cofundador e presidente da empresa, o número de parceiros pode crescer cerca de 10 vezes nos próximos 12 meses. A companhia tem conversado com concessionárias de veículos ao redor do país numa tentativa de estimula-las a criar suas próprias locadoras, com as quais a Kovi poderia estabelecer alianças.

O país tem 11 mil locadoras, com uma frota de um milhão de carros. Mais da metade está concentrada em três empresas: Localiza, Unidas e Movida. Os motoristas de aplicativos têm se tornado um segmento importante para as companhias, já que a locação se apresenta como uma opção mais econômica que ter um carro próprio. Dos 450 mil carros usados pelos 600 mil motoristas do Uber no Brasil, 360 mil são alugados, segundo estimativa do banco Credit Suisse. Milani estima que o total de motoristas cadastrados em aplicativos pode chegar a um milhão, número que cresce a um ritmo de 20% ao ano.

De acordo com Lewkowicz, a locação para motoristas de aplicativos é um mercado em potencial para a Maestro, mas que não está no radar no momento. “O mercado de locação tradicional já tem crescido muito rapidamente”, diz o executivo. A receita de locação avançou 63% no 1º semestre, informa. A Maestro tem uma frota de 4 mil carros e 100 caminhões.

Em maio, a Kovi anunciou sua primeira rodada de investimento, conhecida como “seed”, na qual captou US$ 10,5 milhões, um valor alto para essa etapa no Brasil, que normalmente não passa de aportes de US$ 2 milhões.

A captação foi liderada pela Monashees (que já investiu na 99) e pela aceleradora americana Y Combinator e contou com a participação do Maya Capital (fundo de Lara Lemann, filha de Jorge Paulo Lemann), do Global Founders Capital (GFC, da alemã Rocket Internet) e do OneVC (fundo do Vale do Silício que tem como sócios o brasileiro Pedro Sorrentino). De acordo com Milani, uma nova rodada não está muito distante de ocorrer.

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