Unidas amplia receita no 1T26

Unidas amplia receita no 1T26 mas juros elevados mantêm resultado negativo

A Unidas encerrou o primeiro trimestre de 2026 com crescimento de receita e avanço operacional nos segmentos de aluguel de carros e gestão de frotas pesadas, mas ainda pressionada pelo aumento das despesas financeiras em meio ao cenário de juros elevados no país.

A companhia registrou receita líquida consolidada de R$ 1,878 bilhão entre janeiro e março, alta de 15,5% em relação ao mesmo período de 2025. O EBITDA alcançou R$ 656 milhões, avanço de 9,6%, enquanto a margem EBITDA de locação subiu 2,5 pontos percentuais, para 68,1%.

Apesar da melhora operacional, a locadora teve prejuízo líquido de R$ 8 milhões no trimestre. Segundo a empresa, o resultado foi impactado principalmente pelo aumento das despesas financeiras, reflexo da manutenção dos juros em patamar elevado. A taxa média anualizada do CDI passou de 12,95% no 1T25 para 14,86% no 1T26.

Na mensagem da administração, o CEO Carlos Moreira afirmou que a companhia manteve foco em disciplina financeira, eficiência operacional e redução da alavancagem.

RAC cresce em receita e margem

O segmento de aluguel de carros (RaC) foi um dos destaques do trimestre. A receita líquida da operação somou R$ 452 milhões, crescimento de 7,1% sobre o primeiro trimestre do ano passado.

O EBITDA da divisão avançou 14,4%, para R$ 277 milhões, enquanto a margem EBITDA subiu para 61,2%. Segundo a companhia, o desempenho foi impulsionado pelo aumento da tarifa média e pela melhora da taxa de utilização da frota. A diária média bruta do RaC atingiu R$ 144,4, alta de 5,7%, e a taxa de utilização cresceu 3,6 pontos percentuais, chegando a 80,6%. A frota total do segmento encerrou o trimestre em 55,4 mil veículos. A empresa terminou o período com 160 lojas de aluguel de carros em operação.

Gestão de frotas pesadas melhora rentabilidade

A divisão de gestão e terceirização de frotas pesadas também apresentou avanço relevante. A receita líquida cresceu 10,9%, para R$ 221 milhões, enquanto o EBITDA aumentou 27,9%, totalizando R$ 175 milhões.

A margem EBITDA do segmento chegou a 79,2%, avanço de 10,5 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo a Unidas, a melhora está relacionada ao encerramento das operações de Full Service, reduzindo custos de manutenção concentrados no primeiro trimestre.

Venda de ativos avança com renovação da frota

A receita líquida com venda de ativos seminovos atingiu R$ 918 milhões, alta de 28,1% na comparação anual. O volume de ativos vendidos cresceu 24%, chegando a 11.477 unidades. O aumento foi puxado principalmente pela renovação da frota de aluguel de carros e pela descontinuidade das operações de Full Service no segmento pesado.

Por outro lado, o EBITDA da venda de ativos permaneceu negativo em R$ 16 milhões, impactado pela comercialização de veículos e equipamentos pesados em condições mais deterioradas e pelo maior volume de vendas no canal atacado.

Companhia reduz alavancagem

A Unidas encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 8,767 bilhões, alta de 1,4% frente ao quarto trimestre de 2025. Ainda assim, a relação dívida líquida/EBITDA caiu para 3,24 vezes, redução de 0,25 vez em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

Ao longo do período, a companhia realizou o reperfilamento de R$ 3,4 bilhões em dívidas — sendo R$ 2,4 bilhões no primeiro trimestre e R$ 1 bilhão em abril — alongando vencimentos e reduzindo pressões de amortização para 2026 e 2027. Segundo a empresa, a posição de caixa ao final de março era de R$ 3,706 bilhões, equivalente a 169% das amortizações previstas até o fim de 2027.

 

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