Bolívia “intensifica” ações na fronteira após média mensal de 16 veículos furtados entrando no país

A ABLA estima que 1% da frota é alvo de criminosos.

 

São, pelo menos, 10 mil tentativas de apropriação indébita por ano no País. A frota no fim de 2020 era de um milhão de automóveis e veículos comerciais leves. Como o valor médio dos veículos está em R$ 70 mil, o valor de patrimônio das locadoras sujeito a esse risco é estimado em, pelo menos, R$ 700 milhões, indicam os dados da associação.

Agora existem dois números de denúncia para vítimas brasileiras reclamarem dos crimes para as autoridades do país vizinho. Em qualquer tipo de roubo ou furto de veículos na região de Corumbá, os proprietários precisam realizar o boletim de ocorrência no Brasil. E poderão também notificar o Diprove (órgão policial na Bolívia que atua diretamente no combate e prevenção a roubo e furto de veículos).

O telefone de notificação de crimes de roubos e furto de veículos na Diprove da fronteira é o +591 71169790, que recebe comunicação via aplicativo de mensagens. E também o número brasileiro (67) 98218-7656. As vítimas devem enviar o boletim de ocorrência brasileiro com relação ao furto ou roubo e informar detalhes e características do carro.

No país vizinho, há uma unidade da Diprove instalada em Puerto Suárez. A cidade fica a cerca de 20 quilômetros de Corumbá. Conforme o tenente-coronel da Polícia da Bolívia, Marcelo Ramirez, diretor de fronteira da Diprove, as primeiras 24 horas depois do crime praticado são importantes para aumentar a resolutividade de roubos e furtos.

Ele informou que a unidade especializada e operativa tem como foco investigar e operar nessa questão de roubos e furtos de veículos no Brasil e que entram no país vizinho.

Quando a Diprove recebe uma informação de forma rápida sobre o crime, conforme o diretor, as chances de recuperar os veículos irregulares aumentam.

Na avaliação de Marcelo Ramirez, quanto mais tempo demora a comunicação do roubo ou furto, mais difícil fica para a recuperação. Pois esses veículos podem ser levados para outras regiões do interior da Bolívia. Para ilustrar essa situação, ele citou a recuperação de um carro sedan que tinha sido roubado em Corumbá no mês de junho.

Um motorista de aplicativo tinha feito uma corrida para a região de fronteira e acabou sendo assaltado. Houve o registro do boletim de ocorrência na 1ª DP da Polícia Civil de Corumbá e a comunicação quase imediata ao Diprove. Ninguém chegou a ser preso na operação, mas os policiais encontraram o veículo no município de Puerto Quijarro.

Depois de confirmado que se tratava do veículo, houve trâmites internos entre Bolívia e Brasil para que o carro fosse devolvido à proprietária na sexta-feira (16).

Uma equipe da Polícia Civil acompanhou o processo de devolução. Joana Caballero de Souza foi a vítima do roubo em que os criminosos atravessaram o veículo para a Bolívia. Ela conseguiu recuperar o carro nesta sexta-feira (16) e se sentiu aliviada. Pois ainda precisa quitar o parcelamento dele.

O cônsul boliviano em Corumbá Simons William Durán Blacutt explicou que existe um acordo entre autoridades para combater esse tipo de crime. E assim permitir que haja a devolução do bem de forma ágil. Em Mato Grosso do Sul, em média, 11 veículos são roubados ou furtados diariamente. Um prejuízo enorme para os proprietários, uma demanda para as seguradoras e um mercado que gera milhões para criminosos.

Parte dessa frota acaba sendo trazida para a região de Corumbá para ser atravessada à Bolívia. No país vizinho, SUVs e carros de luxo chegam a ser vendidos em um mercado ilegal por valores que variam entre R$ 30 mil e R$ 60 mil.

Além dos crimes estaduais, carros de outras partes do país acabam sendo trazidos para a fronteira, em Corumbá.

A Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla), por exemplo, estima que 1% da frota é alvo de criminosos. São, pelo menos, 10 mil tentativas de apropriação indébita por ano no País.

A frota no fim de 2020 era de um milhão de automóveis e veículos comerciais leves. Como o valor médio dos veículos está em R$ 70 mil, o valor de patrimônio das locadoras sujeito a esse risco é estimado em, pelo menos, R$ 700 milhões, indicam os dados da associação.

No ano passado e agora em 2023 ocorreram diferentes ações no Brasil para combater quadrilhas que atuam nesse processo de atravessar carros na fronteira. Além disso, em maio, os delegados de Ladário, Guilherme Oliveira Pena, e da 1ª DP de Corumbá, Elton Alves de Sá Júnior, além do investigador de polícia da Delegacia de Ladário, Marcos Sérgio Tiaen, fizeram intercâmbio de informações com o Diprove, em Santa Cruz de la Sierra.

Essa aproximação ocorreu para haver mais troca entre as autoridades. Tanto para combater o roubo e furto de veículos, como investigar quadrilhas que agem com o tráfico de drogas.

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