Por que 7 modelos subiram em vendas enquanto rivais afundam com coronavírus

O isolamento social determinado pela pandemia do novo coronavírus fez o mercado de automóveis despencar em vendas no mês de março. Com concessionárias fechadas em grande parte das cidades e serviços limitados nos Detrans, quase todos os carros tiveram grandes reduções nos emplacamentos.

O líder de vendas, Chevrolet Onix, viu suas vendas despencarem em 32,9% na comparação com fevereiro. O mês passado, por causa do Carnaval, já não havia sido bom.

Os números foram apurados de 1º a 29 de março. Portanto, faltam ainda dois dias para o encerramento do mês, o que pode amenizar as perdas do Onix e da maioria dos modelos. Mas não de maneira relevante. A coluna vem acompanhando diariamente o desempenho do mercado e, há pelo menos dez dias, há pouca variação no número de modelos emplacados.

Mas se o mês foi péssimo para a maioria, um pequeno grupo de modelos pode comemorar. Mesmo antes do encerramento de março, eles já conseguiram garantir crescimento, na comparação com fevereiro.

Há algumas razões para esse avanço inusitado, que você poderá conferir no fim do texto. Ainda assim, a maioria dos modelos que registrou crescimento é por um desses três fatores: lançamento de nova geração, promoções ou desempenho muito ruim em fevereiro.

O grupo de modelos que cresceram é formando por Chevrolet Tracker, Fiat Cronos, Caoa Chery Tiggo 5X, os Renault Captur e Duster, os Mitsubishi Eclipse Cross e L200 e a Ford Ranger.

Tracker consegue avançar

O Chevrolet Tracker foi o último modelo importante lançado antes do endurecimento das medidas de isolamento social. Várias marcas postergaram a estreia de seus modelos no mercado – a exemplo da Fiat, com a Strada, e a Volvo, com o XC40 híbrido.

No caso da Chevrolet, havia uma campanha forte na TV e outros meios de comunicação, convocando os clientes a não comprar SUVs em março, antes da chegada do novo Tracker. Pois o carro veio, e conseguiu escalar o ranking mesmo com as limitações impostas pela pandemia.

De 1º a 29 de março, foram vendidos 1.887 Tracker, 41,2% a mais que em fevereiro. Não dá para associar esse avanço, no entanto, apenas aos exemplares de nova geração.

Ele também pode estar relacionado à queima de estoque (com promoções) de unidades do modelo antigo, importado do México. O resultado já faz o Tracker avançar no ranking de SUVs compactos.

Do oitavo lugar em fevereiro, ele agora está no sexto lugar. E nos últimos dois dias do mês, pode ainda ultrapassar o EcoSport, que tem menos de 150 unidades de vantagem.

Outros SUVs compactos

No segmento de SUVs compactos, há outros três modelos que cresceram. No caso de Captur e Duster, o mês de fevereiro havia sido muito ruim para ambos, especialmente para o primeiro.

Já em março, o Captur registra avanço de 15,8%, com 1.099 emplacamentos. O Duster teve 956 unidades vendidas, crescimento de 32,7%.

As mudanças realizadas na linha Duster, no início do mês, podem ajudar a explicar as vendas do modelo. Além disso, a Renault é uma das marcas que mais investem em vendas no atacado, para locadoras e outros tipos de frota (geralmente, sem intermédio de concessionárias).

O Tiggo 5X soma até agora 1.127 emplacamentos, alta de 8,8% ante o mês de fevereiro.

Outros avanços

Apagado em um segmento que vem avançando, principalmente após a chegada do Onix Plus, o Fiat Cronos ganha destaque em fevereiro ao ser o único sedã compacto a registrar crescimento. As vendas totalizaram 1.543 unidades, alta de 13,5%.

As vendas diretas, nas quais o modelo é forte, também podem ajudar a explicar o avanço, como nos modelos da Renault.

Dos demais modelos que registraram aumento nas vendas, o avanço do Eclipse Cross foi de 9,5%. A Ranger cresceu 15,7% e a L200, 5,1%.

Há alguns outros casos de crescimento na parte de baixo do ranking – mas, nesse caso, de modelos com volumes muito baixos, inferiores a 100 unidades.

Razões do avanço

Apesar de as medidas para isolamento social terem determinado fechamento de boa parte das concessionárias, algumas ainda podem estar funcionando. É que essas determinações estão sendo feitas no âmbito estadual, não no federal.

Além disso, há revendas que continuam operando, mas apenas remotamente – por telefone e outros meios de comunicação. Isso, porém, não afasta a insegurança do consumidor quanto aos impactos econômicos que o cenário atual vai causar – algo que sempre acaba levando-o a adiar a decisão de compra de bens de alto valor, como o automóvel.

As vendas especiais feitas a empresas, sem intermédio de concessionárias, contribuem para a continuidade dos emplacamentos nesse período de pandemia, embora em ritmo lento. Além disso, há muitos modelos vendidos no início de março, antes do início das medidas de isolamento.

Carros que passaram por promoções no início do mês, ou no fim de fevereiro, certamente tiveram maior fluxo de emplacamentos em março.

Por isso mesmo, é possível que o cenário em abril fique ainda pior. Além da paralisação do mercado, 99,9% das montadoras pararam de produzir veículos. Só vão retornar a partir da segunda semana de abril – mas podem postergar esse prazo, se não houver redução no número de novos casos de covid-19.

FONTE: UOL Carros – Rafaela Borges

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