Venda de veículos elétricos sobe 77% em 2021 no Brasil com impulso de locadoras e varejistas

Enquanto a indústria brasileira teve de reduzir a produção de veículos novos pela falta de chips, o mercado de carros eletrificados – que inclui os modelos elétricos, híbridos plug-in e híbridos – não tem do que reclamar de 2021.

 

Venda de veículos elétricos sobe em 2021

O segmento cresceu 77% em relação ao ano anterior. Somando 34.990 unidades, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

O número veio bem acima da projeção inicial de cerca de 29 mil unidades. E a expectativa para 2022 é, ao menos, se repetir o crescimento alcançado no ano passado.

Do total comercializado em 2021, 2.851 são de veículos 100% elétricos. Aumento de 256% ante as 801 unidades vendidas em 2020.

No mês de dezembro, foram vendidos 4.545 modelos eletrificados. O número é o maior da série histórica, iniciada em 2012.

O presidente da ABVE, Adalberto Maluf, destaca que dentre as explicações para o crescimento está o aumento das vendas de veículos comerciais leves para logística. Principalmente para grandes varejistas como Lojas Americanas e Casas Bahia, controlada pela Via, pela preocupação dessas companhias com a agenda ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança).

Dois entre os dez elétricos mais vendidos foram furgões usados para entregas. Maluf também ressalta o maior número de vendas para locadoras de veículos.

Além disso, as dificuldades enfrentadas pelos modelos a combustão, como a falta de chips, que levou a fila de espera para comprar novas unidades, ajudaram os elétricos. Só no ano passado, a indústria deixou de produzir ao menos 300 mil veículos zero quilômetro.

No caso dos eletrificados, foram 44 modelos de veículos leves vendidos no ano passado.

“O elétrico, em tese, é mais caro. Mas o veículo à combustão também ficou muito mais caro no ano passado.  E ainda contaram com a falta de componentes. Os veículos elétricos mantiveram um preço estável. E em alguns casos até houve redução ocasionado pelo aumento da produção”, disse Maluf, destacando que houve maior procura pelos modelos elétricos mais baratos.

Para o presidente da ABVE, a falta de uma política nacional para o setor e o imposto mais elevado em relação aos veículos de combustão ainda impedem um crescimento maior.

O mercado segue concentrado no eixo Rio e São Paulo.

A ausência de carregadores públicos para os automóveis elétricos plug-in (quando a bateria é recarregada numa tomada) ou híbridos (que também tem motor a combustão) na maior parte das estradas inviabiliza a expansão para outras regiões.

“No Sudeste, já temos uma estrutura bastante robusta. Foram investidos R$ 600 milhões nos últimos três anos em projetos das montadoras e distribuidoras de energia. Que colocaram o Brasil com uma rede mínima em relação à média nacional. O gargalo são as grandes viagens.”

Participação no mercado

Com o crescimento em 2021, as vendas dos eletrificados equivalem a 2,3% do total de veículos automóveis e comerciais leves vendidos no Brasil em dezembro. Apesar de pequena ainda essa é a maior participação mensal já verificada.

A frota de automóveis e modelos comerciais leves chega a 77.259 unidades. O número não inclui caminhões e ônibus.

A associação ainda não tem projeções oficiais para as vendas neste ano, mas a expectativa é que o crescimento continue.

“Temos a perspectiva que o mercado continue crescendo bastante. Como os últimos meses, tiverem salto de vendas, nós achamos que vai ou repetir o percentual de 2021. Ou crescer um pouco mais”, afirmou Maluf.

Para o executivo, além do varejo, a expectativa é que os setores de distribuição de bebidas e alimentos e de táxis e aplicativos possam ser nichos a serem explorados neste ano.

Venda de veículos elétricos sobe em 2021.

Fonte: valor.globo.com

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