“Vale a pena ter um carro hoje?”

Em um contexto de pressão inflacionária, taxas de juros em crescimento e preços de combustíveis nas alturas, um questionamento surge naturalmente: vale a pena ter um carro hoje?

 

A resposta para essa pergunta não é trivial e, não obstante o Planejamento Financeiro lançar mão de métodos quantitativos objetivos, não há uma resposta unânime.

A tomada de decisão “ótima” entre comprar, alugar ou utilizar aplicativos de transporte de passageiros consiste em um processo de avaliação de fatores quantitativos e qualitativos, que devem ser confrontados com suas necessidades e cenários particulares. Entre as variáveis quantitativas, devem-se precificar fatores como custo de oportunidade, impostos e seguros, depreciação e manutenção do veículo, além de se estimar o custo anual total de cada opção. Tratando-se de variáveis qualitativas, aspectos subjetivos devem ser ponderados, como conveniência, segurança, conforto e tempo de utilização.

Cabe a esta matéria objetiva trazer à luz os principais fatores a serem ponderados antes de você tomar sua decisão, elencando as vantagens e desvantagens de cada opção apresentada e proporcionando subsídios para embasar sua escolha com maior segurança, pois a solução assertiva é aquela que melhor se adéqua ao seu bolso e às suas necessidades.

Comprar o veículo

A pandemia ocasionou um desarranjo na economia e uma assimetria entre a oferta e demanda no mercado automotivo. As consequências se observam diretamente nos preços do setor, que se elevaram bastante nos últimos 12 meses. Dessa forma, vale a pena refletir se este é o melhor momento para comprar, pois a tendência é que o mercado de veículos retorne ao seu equilíbrio com preços mais atrativos em 2022.

A decisão entre comprar à vista ou financiar é determinante, pois os encargos com juros elevam substancialmente o custo total do veículo, gerando uma diferença significativa no custo-benefício, em comparação com as demais opções do mercado.

Dando continuidade à sua análise, você deve realizar o levantamento de custos anuais, como IPVA e licenciamento, seguros, depreciação e manutenção, além dos custos mensais. Combustível, estacionamento e custo de oportunidade. O custo de oportunidade nem sempre é ponderado como fator determinante. Contudo ele explicita o valor que você está deixando de ganhar se resolver investir o valor total da compra de seu carro. Em vez de adquiri-lo. As despesas anuais e mensais constantes podem pesar na hora de sua decisão.

Plano de assinatura do veículo

A oferta de planos de assinatura de veículos é recente no Brasil. E, por essa razão, é natural que o brasileiro seja cético e possua dúvidas na hora de considerar a viabilidade dessa opção. Grandes locadoras de veículos ofertam diferentes tipos de planos. E até mesmo tradicionais montadoras de automóveis passaram a apostar nesse mercado. A opção de ter à sua disposição um carro 0 km com pouquíssima burocracia, pagando uma mensalidade e sem ter que arcar com custos como IPVA, manutenção e seguros (sob responsabilidade da locadora) pode parecer uma alternativa mágica.

Mas, nesse caso, além dos fatores quantitativos, devem-se levar em conta suas necessidades. E principalmente o quanto você utiliza o carro diariamente. Os planos contemplam limites de quilometragem que variam, em média, de 500 a 3.000 km mensais. Dessa forma, é importante realizar uma pesquisa comparativa de preços. E atentar para fatores como prazo de contrato e custos com cancelamento do plano. Quanto maior o prazo, menores são as franquias mensais.

Aplicativos de mobilidade urbana
Os aplicativos promoveram uma nova abordagem na relação entre as pessoas e os veículos. E podem ser uma boa alternativa caso você preze por comodidade e tenha como bem mais valioso o seu “tempo”. Nesta opção, você ganha em qualidade de vida ao não dirigir. E evita o estresse de ter que administrar um veículo.
Entretanto, essa conveniência tem um preço, e o impacto no seu bolso pode surpreender, a depender da distância percorrida diariamente. Por meio das plataformas digitais, é possível estimar um custo relativo médio de trajetos. Mas esses valores variam em cada cidade e os preços podem sofrer oscilações. Enfim, a solução mais interessante vai levar em conta seus objetivos, suas necessidades e sua situação financeira.
Para ilustrar a construção do seu processo de tomada de decisão, apresenta-se de forma exemplificativa uma planilha. Serve como ponto de partida para construir seu próprio modelo.
Vale a pena ter um carro hoje?
Vale a pena ter um carro hoje, em um contexto de pressão inflacionária, taxas de juros em crescimento e preços de combustíveis nas alturas?

Doutor e Mestre, Paulo Pires é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial  Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejamento Financeiro. E-mail: [email protected]

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do site ÉpocaNegócios.com ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima. Ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Vale a pena ter um carro hoje?

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