Carros clonados desafiam segurança do crédito automotivo
Carros clonados desafiam segurança do crédito automotivo
Casos recentes de adulteração veicular mostram como o cruzamento de informações pode ajudar a identificar irregularidades antes que elas cheguem a uma operação de crédito
O carro está na garagem, o documento está em mãos e a placa confere. Ainda assim, a clonagem e a adulteração de sinais identificadores como placa, número do chassi (VIN), numeração do motor e outras gravações ou elementos oficiais de identificação do veículo permitem que automóveis de origem irregular circulem com aparência de legalidade.
O problema pode ultrapassar a esfera da segurança pública e chegar ao mercado de crédito.
Em agosto, a Polícia Federal deflagrou uma operação contra um grupo suspeito de obter veículos furtados, adulterar sinais identificadores, falsificar documentos e revendê-los. A investigação começou após a apresentação de um Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo falsificado durante a fiscalização de uma caminhonete.
Casos como esse chamam atenção para a capacidade de fazer com que informações isoladamente plausíveis componham a identidade de um veículo que, na prática, não corresponde ao que os documentos indicam.
Crédito também depende da identificação do veículo
Para o mercado financeiro, o problema ganha outra dimensão quando esse veículo entra em uma operação de crédito. É o caso do automóvel financiado, que funciona como garantia.
Uma irregularidade relacionada à identidade, propriedade ou situação registral pode afetar a instituição financeira e também o comprador de boa-fé.
Por isso, com a digitalização do setor, verificar quem solicita o financiamento continua sendo essencial. A segurança da operação também depende da capacidade de confirmar se o próprio bem e seu histórico correspondem às informações apresentadas.
Para a Tecnobank, empresa líder na transformação digital de registros de contratos de financiamento de veículos, o cruzamento dessas informações pode ajudar a identificar inconsistências antes da formalização da operação.
“Durante muito tempo, a discussão sobre fraude esteve concentrada principalmente em confirmar quem estava do outro lado da operação. Isso continua fundamental, mas também precisamos perguntar se aquele veículo é de fato o que os dados dizem que é. O próprio bem pode carregar sinais de uma fraude que não aparece quando cada dado é analisado isoladamente”, afirma Isaac Ferreira, diretor de Produtos da Tecnobank.
Cruzamento de dados amplia prevenção
Informações relacionadas à identificação do veículo, documentação, propriedade, restrições e garantias podem não levantar suspeitas quando consultadas separadamente.
Desse modo, é no cruzamento desses dados que determinadas incompatibilidades aparecem. Essas divergências podem indicar a necessidade de uma verificação adicional antes que o financiamento seja formalizado.
O registro das garantias também pode exercer um papel preventivo nesse processo. A integração das informações ao longo da operação amplia a possibilidade de detectar divergências antes da conclusão do financiamento.
Esse processo pode ser relevante, por exemplo, diante de tentativas de dupla alienação. Nesse caso, um mesmo bem é apresentado irregularmente como garantia em mais de uma operação.
“Fraudes sofisticadas nem sempre chegam ao sistema com uma informação evidentemente falsa. Muitas vezes, cada dado parece plausível sozinho, e o alerta aparece quando as informações são confrontadas e percebemos que elas não poderiam coexistir naquela operação. A tecnologia permite fazer esse tipo de verificação com velocidade e escala”, explica Isaac.
Digitalização muda análise das garantias
A digitalização do registro de contratos, associada ao cruzamento e à validação de diferentes fontes de informação, pode ampliar a capacidade de verificar a consistência dos dados relacionados ao veículo, ao contrato e à garantia.
Mais do que tornar o processo eletrônico, o avanço dessa infraestrutura permite que informações antes analisadas de maneira isolada sejam confrontadas ao longo da operação.
Com isso, aumentam as possibilidades de identificar uma irregularidade antes que ela resulte em prejuízo. “O objetivo é fazer com que uma divergência seja percebida o quanto antes. Quanto mais conectadas estiverem as informações, maior é a capacidade de interromper uma operação que precisa ser revista antes que o problema chegue à instituição financeira ou ao consumidor. É uma evolução na forma como usamos tecnologia para proteger o crédito”, conclui o executivo.
