Para Localiza, entrada da Porto Seguro e Cosan em locação reforça incorporação da Unidas

Questionada pela concorrência, fusão das duas maiores empresas do setor está em análise no Cade

O diretor de Finanças e de Relações com Investidores da Localiza, Rodrigo Tavares, usou o anúncio de joint venture entre a Porto Seguro e a Cosan no segmento de locação de carros como um argumento favorável à proposta de incorporação da Unidas (vice-líder) pela Localiza (líder do setor).

A proposta de incorporação é analisada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e tem sido alvo de críticas por parte de concorrentes. O veredicto do Cade sobre o tema deve ser dado até o dia 6 de janeiro.

“O que a gente tem falado (junto ao Cade) é sobre as baixas barreiras de entrada. Esse movimento (da Porto e Cosan) é um dos vários movimentos que confirmam isso”, disse, durante teleconferência para apresentar os resultados do terceiro trimestre deste ano.

Reportagem do Valor nesta semana mostrou que Porto Seguro e Cosan vão criar uma joint venture no setor de mobilidade.

O negócio irá incorporar o braço de assinatura de veículos da Porto, chamado Carro Fácil, e que hoje conta com uma frota de 9,2 mil veículos. Já a Cosan entrará com um aporte de capital inicial de cerca de R$ 300 milhões. No futuro, o negócio deve ser ampliado para a gestão e terceirização de frota e, em último passo, pode chegar também no braço de aluguel de carros por diária (RAC).

Segundo Tavares, Porto e Cosan são empresas bastante capitalizadas. “Na parte de carros por assinatura eles devem avançar mais rápido dada a experiência da Porto. É um mercado com certeza que eles vão ter capacidade de competir”, disse.

O executivo destacou que o passo natural da futura joint venture é caminhar para a gestão de frotas e, depois, no RAC. “Isso confirma que mesmo no RAC não tem barreira de entrada para players do tamanho da Cosan e Porto”, disse.

O negócio entre a Localiza e Unidas tem movimentado muitas críticas por parte de concorrentes.

A Movida, terceira maior do setor, pediu que a operação seja reprovada. Diante da inexistência de remédios suficientes para sanar supostos problemas a serem criados. Como a concentração de mercado, elevação no preço ao cliente final. E poder excessivo na aquisição de veículos por parte da gigante a ser criada.

O grupo entrou como “terceiro interessado” no processo que caminha na autoridade antitruste. Além da Movida, a locadora Fleetzil, do Grupo Volkswagen, a Ouro Verde, de locação de veículos. E também a Ald Automotive, subsidiária do grupo francês Société Générale no segmento terceirização e gestão de frotas. Todas participam do processo como terceiro interessado e já demonstraram preocupação com o negócio em documentos enviados ao Cade.

Porto Seguro e Cosan em locação

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