Recarga ganha peso na escolha de imóveis
Recarga ganha peso na escolha de imóveis. Infraestrutura para veículos elétricos passa a influenciar compra e locação de imóveis, em meio ao avanço da frota eletrificada no Brasil
A infraestrutura para recarga de veículos elétricos começa a ganhar espaço entre os critérios de escolha de imóveis residenciais. Segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica, 72% dos compradores consideram essencial que o empreendimento esteja preparado para receber sistemas de recarga.
O dado mostra uma mudança nas prioridades dos consumidores. A recarga, antes vista como diferencial, passa a ser associada à infraestrutura necessária para novas formas de mobilidade.
O movimento ocorre em paralelo ao avanço dos veículos eletrificados no Brasil. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), 271.091 veículos eletrificados foram vendidos entre janeiro e julho de 2026. O volume supera em 21% todas as vendas do segmento em 2025.
A expansão também alcança a infraestrutura. O país já conta com pelo menos 25.429 pontos públicos e semipúblicos de recarga, segundo dados da ABVE e da Tupi Mobilidade.
Garagens entram no planejamento
A necessidade de recarga cria novos desafios para condomínios. Em edifícios antigos, a instalação de carregadores pode exigir adequações na rede elétrica.
Entre as possíveis intervenções estão o reforço da capacidade elétrica e a atualização dos sistemas de distribuição. A medição individualizada também pode ser necessária. Por isso, o planejamento desde a fase de projeto pode reduzir intervenções posteriores. Incorporadoras já começam a considerar essa estrutura na concepção de novos empreendimentos.
O levantamento citado pela Brain também aponta impacto sobre imóveis destinados a investidores. Empreendimentos preparados para veículos eletrificados podem ampliar as possibilidades de ocupação e locação. Nesse cenário, a infraestrutura de recarga deixa de ser apenas uma questão tecnológica. Ela passa a fazer parte da avaliação sobre a adaptação dos imóveis às mudanças na mobilidade urbana.
Reflexos para as locadoras
A mudança também interessa ao setor de locação de veículos. A expansão dos eletrificados tende a aumentar a presença desses modelos nas frotas das locadoras.
Para essas empresas, a infraestrutura disponível nos destinos de uso pode influenciar a operação de veículos elétricos e híbridos plug-in. Isso inclui estacionamentos residenciais, hotéis, centros comerciais e condomínios. O tema ganha relevância diante do crescimento acelerado do mercado. Em julho, os eletrificados leves alcançaram 21% de participação nas vendas brasileiras, segundo a ABVE.
Além disso, os veículos plug-in responderam por 83% das vendas de eletrificados leves no mês. Foram 46.282 unidades, entre modelos 100% elétricos e híbridos plug-in. Para as locadoras, a existência de pontos de recarga em imóveis e estabelecimentos comerciais pode facilitar a utilização desses veículos. A questão também pode ganhar importância em contratos corporativos e operações de longa duração.
A tendência indica que a eletrificação começa a produzir efeitos além da indústria automotiva. Garagens, estacionamentos e imóveis passam a integrar essa transformação.
