RENAVE muda rotina das revendas

RENAVE muda rotina das revendas. Passa a exigir registro digital de estoque, entradas, saídas e consignações de veículos

A dez dias do fim do prazo de adequação ao novo RENAVE, as revendas de veículos usados precisam ajustar processos internos para atender às novas regras. O prazo termina em 28 de setembro de 2026.

A Resolução CONTRAN nº 1.026/2026 instituiu um modelo nacional para o Registro Nacional de Veículos em Estoque. O sistema registra eletronicamente as movimentações de entrada e saída de veículos novos e usados.

A norma também substitui os livros físicos usados para a escrituração dessas movimentações. As operações devem ser realizadas por meio de um sistema de integração conectado ao RENAVE.

Na prática, a mudança exige maior integração entre estoque, documentação fiscal e sistemas utilizados pelas revendas. “O RENAVE mostra que a transformação digital do mercado automotivo não acontece apenas na ponta, onde o consumidor pesquisa e escolhe o carro. Ela também está entrando na operação das revendas, tornando os processos mais integrados e estruturados”, afirma Jefferson Rocha, CEO do SóCarrão.

RENAVE muda controle das revendas

Para as empresas que comercializam veículos usados, o registro de entrada no estoque passa a ser eletrônico. A revenda também deve registrar a saída do veículo quando ocorrer a venda.

A regulamentação determina que os dados registrados no RENAVE tenham correspondência com a documentação fiscal. Na entrada de um veículo usado, por exemplo, a operação deve ser acompanhada da respectiva NF-e. Na saída, a nota fiscal de venda também deve estar integrada ao registro eletrônico.

A revenda também precisa aderir ao RENAVE por meio do sistema Credencia e utilizar uma integradora autorizada. Além disso, o estabelecimento deve possuir certificado digital e-CNPJ válido.

“O principal desafio é organizar a operação para que estoque, documentação e sistemas estejam conectados. Ao mesmo tempo, isso cria uma base mais estruturada para acompanhar a movimentação de cada veículo”, explica Rocha.

A resolução também estabelece regras para transferências de veículos entre estabelecimentos. A operação deve ser registrada eletronicamente e os estabelecimentos envolvidos precisam estar aderidos ao RENAVE.

Consignação também entra no sistema

A consignação de veículos passa a ter registro eletrônico obrigatório no novo modelo.

Segundo a Resolução CONTRAN nº 1.026/2026, o veículo consignado deve estar vinculado a um contrato eletrônico de consignação registrado no RENAVE. A norma também impede a venda ou intermediação comercial sem o registro eletrônico prévio.

O contrato deve ser firmado digitalmente pela revenda e pelo proprietário do veículo por meio do sistema de integração.

Com isso, as lojas precisam adaptar também os processos relacionados aos veículos recebidos em consignação.

O que muda para o consumidor

A obrigação de registro no RENAVE é da revenda. O comprador não precisa fazer o registro de estoque do veículo.

Ainda assim, o consumidor passa a participar de uma operação com maior integração digital dos dados. O sistema registra a entrada e a saída do veículo do estoque da empresa, além de informações relacionadas à operação de venda.

É importante destacar que o RENAVE não substitui a transferência de propriedade. Depois da compra de um veículo usado, o proprietário continua obrigado a providenciar a transferência junto ao órgão de trânsito competente.

Na venda de um veículo usado, a saída do estoque é registrada no RENAVE. A resolução estabelece que o comprador identificado nessa operação é o destinatário do veículo, independentemente de a transferência de propriedade já ter sido concluída.

“O consumidor já está acostumado a pesquisar, comparar preços e condições pela internet. Agora, a digitalização avança também para os processos que acontecem dentro da revenda. A tendência é termos uma jornada cada vez mais integrada, da pesquisa à documentação”, afirma Rocha.

Digitalização alcança os bastidores

O movimento amplia a digitalização do mercado de veículos usados. A mudança não fica restrita aos classificados e marketplaces, que já concentram etapas como pesquisa, comparação e contato com vendedores.

Para as revendas, o novo modelo leva a digitalização para atividades como controle de estoque, registro fiscal, consignação e movimentação dos veículos.

O SóCarrão reúne cerca de 60 mil veículos anunciados por mês, mais de 1.500 lojas cadastradas e registra aproximadamente 1 milhão de acessos mensais, segundo informações da empresa.

Para a plataforma, a mudança mostra que a transformação digital do setor também avança sobre os processos internos das revendas.

“O mercado automotivo está passando por uma transformação que envolve toda a cadeia. A digitalização da compra precisa vir acompanhada da digitalização da operação. É esse conjunto que torna a jornada mais simples, ágil e transparente”, conclui Rocha.

SóCarrão

Fundado em abril de 2003, o SóCarrão é um portal de classificados de veículos novos e seminovos. A plataforma conecta compradores e vendedores por meio de recursos digitais.

A empresa atua em cidades dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. Entre as localidades estão Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Florianópolis, Blumenau, Joinville, Porto Alegre e Campinas.

Segundo informações da empresa, a plataforma oferece recursos como busca por valor de parcela, filtro de garantia estendida e calculadora multibancos para simulação de financiamento.

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